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segunda-feira, 24 de março de 2014

Novidades...

Como disse a Dra Ana Beatriz no livro "Mentes Inquietas", é muito fácil se apaixonar por um TDAH. Difícil mesmo, na minha opinião, é alguém ama-lo de verdade, com suas limitações, impulssividades e idiossincrasias. Se o amor já é um tema bastante complexo - e controverso -  em se tratando de pessoas neurotípicas, imagine então como são difíceis as batalhas travadas para a sobrevivência de um relacionamento aonde um dos dois é TDAH, Asperger ou os dois, como eu.

Independente de nossos conceitos, num ponto todos concordam: amor é o oposto de egoísmo. Por isso faz sentido a afirmação da Bíblia sobre o amor estar esfriando, não faz? Cada vez mais se vê o EU falando mais alto. Se perde o relacionamento mas não se perde a razão. Cada um focando cada vez mais nos seus sentimentos, querendo compreensão e compaixão mas sendo inflexível com os demais.

Se isto já costumar levar relacionamentos comuns à ruína, imagine um aonde um dos envolvidos possui necessidades especiais?

Só por amor que o "normal" da relação se dispõe a ler e entender a condição do outro. Por amor ele cede aos seus sonhos "prontos" para não esperar do outro o que este não pode oferecer. Por amor ele percebe e valoriza o esforço do outro para acertar e fazê-lo feliz. Por amor ele pacientemente ensina o outro a supera-se a si mesmo e a ser o melhor cônjuge e ser humano que este possa ser. Só por amor um não desiste do outro... e só por amor eles colherão os frutos desta escolha!

Amor de verdade se demonstra na prática, não nas palavras. E quem encontra amor de verdade nesta vida é abençoado.

Pois bem... tudo isso para dizer que neste momento sou a mulher mais feliz e abençoada do mundo!

Meu namorado me pediu em casamento! Me sinto amada, segura, aceita e cuidada como nunca me senti antes nesta vida!

Joel e eu


Compartilho minha alegria com vocês para motivar aqueles que se sentem desanimados, inferiorizados ou até depressivos a continuar confiando em seu valor, e a continuar sendo a melhor pessoa que vocês puderem, até o dia que Deus vai trazer a sua bênção também. 

Toda panela têm sua tampa, já dizia o antigo ditado. E não se contentem com pouco, achando que não merecem mais do que isso. Lembrem-se de seu valor e não aceitem ninguém menos do que aquela pessoa muito especial que enxerga o quão especial você é também!

segunda-feira, 3 de março de 2014

DECIFRA-ME



Talvez o pior sintoma comum a todos os tipos de distúrbios neurológicos conhecidos seja a sensação de inadequação. Preste atenção ao uso da palavra "comum". Cada um traz sintomas muito ruins e consequências desastrosas para a vida de seus portadores. Mas todos, quer tenham sido diagnosticados como portadores de TDAH (ou DDA), ou bipolaridade, ou Asperger, etc... com quaisquer comorbidades que possam ter (o que multiplica a já grande variedade destes distúrbios) relatam uma dor em comum: a de sentirem-se "alienígenas", "por fora", "incompreendidos", ou, como eu digo, "orbitando em torno do planeta". 

O ser humano é gregário por natureza. Tão importante para nossa sobrevivência quanto alimentação ou abrigo, é a nossa necessidade de empatia, de participação, de aceitação por parte do nosso grupo. Não estamos sozinhos quando o assunto é socialização e afeto. Todos os grandes mamíferos, cujas sociedades são mais elaboradas, apresentam a mesma necessidade. Há pouco tempo li uma matéria sobre um potro recém-nascido que mesmo mantido alimentado, limpo e aquecido, estava definhando. Quando colocaram um grande urso de pelúcia para que ele pudesse dormir encostado, ele começou a melhorar. Faltava aconchego. 

A socialização não apenas garante a nossa sobrevivência através de seus desdobramentos como solidariedade, troca de informações úteis, proteção, etc, como nos provê as doses diária de afeto que precisamos para estar equilibrados e bem. Basta lembrar dos efeitos de um abraço, graças à liberação da ocitocina, hormônio responsável por, entre outras coisas, criar vínculos afetivos e ajuda a baixar a pressão arterial, além de combater a adrenalina e o cortisol (hormônio do estresse). 

Sabemos que quanto mais próximo nosso grau de parentesco/intimidade com a pessoa, maior nossa necessidade de compreende-la e de ser compreendido por ela também. Maior nossa necessidade de interação afetuosa com esta pessoa. 

E o problema da inadequação reside exatamente aí: quando não somos compreendidos, nossas dificuldades são avaliadas de formas errôneas e podemos ser considerados preguiçosos, burros, ingratos, frios, agressivos, egoístas, chatos, inconvenientes, mimados, etc. E se nossos entes queridos nos olham assim, como teremos "clima" para momentos de carinho e aconchego? Ou mesmo para diálogos ou atividades compartilhadas?

No way.

Por isso é vital que nossos familiares, cônjuges, amigos e quem mais se habilite a conviver "de perto" conosco tenha a disposição de conhecer a fundo nosso quadro. Acredito que quanto mais informação, mais aceitação.  É difícil? É. Mas vale a pena. Muitas vezes é o que falta para a família viver em maior harmonia, para os conflitos se resolverem. Além, claro, de uma grande disposição para amar na prática, perdoando, conversando, estabelecendo metas e oferecendo ajuda para o cumprimento destas. 

 A família agradece.

Referências:
http://oglobo.globo.com/blogs/pagenotfound/posts/2013/06/05/potro-abandonado-confortado-por-urso-de-pelucia-499082.asp
http://revistapaisefilhos.uol.com.br/na-midia/potro-orfao-adota-urso-de-pelucia-como-mae 

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Descoberta!

Depois de anos lendo e pesquisando sobre TDAH, e principalmente, me tratando, eis que minha vida me apresenta mais uma grande surpresa: TDAH é meu diagnóstico secundário, o primário é Síndrome de Asperger!

Na verdade, tudo faz muito sentido... embora eu apresente sim os sintomas de TDAH, eu também apresento, digamos assim, comportamentos"diferentes", que não fechavam com nada do que li até agora e que acabei aceitando como idiossincrasias minhas.

Por falta de tempo de explicar tudo aqui hoje, vou postar aqui uma parte de uma carta que mandei para uma amiga e que vai ajudar o leitor a entender do que estou falando:

"Isso muda tudo em minha vida, e explica o que antes parecia mimo ou loucura da minha parte. Confesso que aquelas características minhas que nem eu conseguia explicar, pareciam loucura até para mim, e é um alívio saber que elas têm explicação... e solução! 

Vou tentar explicar...
A Síndrome de Asperger é chamada de doença do espectro do Autismo porque é uma variação deste. Em comum, ambos apresentam dificuldade de socialização e de "ler" as outras pessoas, só que o Autista é considerado totalmente incapaz nestas habilidades e o Asperger "apenas" tem dificuldade nesta área. Na hora que o médico falou isso, eu estranhei e perguntei como pode se isso, uma vez que eu falo "mais que o homem da cobra", mas ele disse que ser tagarela e se socializar bem são habilidades distintas e que uma não substitui a outra. Ele falou que o tagarela muitas vezes apenas "derrama" informações, sem perceber que está falando demais, ou muito rápido, interrompe os outros, fica focado apenas na sua linha de raciocínio e mal percebe o que os outros falam, ou o efeito de sua tagarelice nas pessoas... e neste caso, ele não está se socializando bem. Quando ele disse isso, minha mãe disse que isso me descreve bem, que desde pequena falo muito sem prestar atenção nos outros. 

Então, tanto o autista quanto o asperger se perdem em seus mundos, mas o autista não chega a se dar conta da presença dos outros, não sente falta de socialização e prefere ficar no seu mundo, mas o asperger quer interagir socialmente, mas lhe faltam habilidades que permitam fazer isso de maneira plena. 

Outras características: repetir muito as mesmas histórias, padrões repetitivos de comportamento (eu as vezes ouço dezenas de vezes a mesma música ou repito por horas a mesma atividade), comprometimento significativo nas habilidades sociais e ocupacionais sem, no entanto, comprometer a capacidade cognitiva (aprendizado), ansiedade excessiva, foco único de atenção no mesmo assunto/objeto por longos períodos, dificuldade de adaptação a mudanças, linguagem pedante e rebuscada (nesta parte minha mãe deu gargalhada e concordou totalmente), dificuldade de interpretar mentiras e ironias, desajeitada (comprometimento motor), desenha bem, falta de auto-censura (fala tudo o que pensa), dificuldade de entender e expressar emoções, hipersensibilidade sensorial e ao ambiente (vontade de se afastar do foco de tensão), sensibilidade exacerbada a ruídos repetitivos, dificuldade em generalizar o aprendizado, etc. No caso das meninas existem sintomas específicos que são: ser "mãezinha" ou "professorinha" de meninas menores e ser controladora nas brincadeiras (sempre!), muito interesse por bonecas - as vezes substituindo pessoas reais, ou falam demais ou são tímidas quase mudas, gostam muito de brincar com pedrinhas, conchinhas e objetos pequenos, brincam até a adolescência(brinquei até os 16), loucas por cavalos, leitoras vorazes desde pequenas (li minha primeira enciclopédia completa com 8 anos), interesse por jogos mais masculinos, se veste inadequadamente, muito inteligente mas se mete fácil em confusões, dificuldade para cumprimentar as pessoas, solidão, confusão, depressão, etc... a lista é longa, e meus pais me reconheceram em TODOS os sintomas. Claro que alguns deles foram moldados pela influência de meus pais, que, por exemplo, sempre me faziam dizer "oi" e ser gentil com todo mundo.  

A Ritalina, que eu tomo por causa do TDAH, ajudou a minimizar muitos destes sintomas, o que fez com que meu diagnóstico demorasse mais. Mas com a ajuda de minha família, avaliando quem eu era antes de começar a me medicar para TDAH, foi confirmado que meu diagnóstico na verdade é 90% Asperger e 10% TDAH. 

Já estou tomando outro medicação junto com a Ritalina, e desde os primeiros dias todo mundo diz que está percebendo uma mudança espantosa em mim. Uma das coisas que eu percebo que mudou é que quela minha necessidade por simetria no meu corpo (acho q falei dela para a senhora já), diminuiu bastante. Isso é uma ótima notícia porque antes eu passava, por exemplo, um tempão amarrando e desamarrando meus cadarços até os dois lados estarem amarrados com a mesma pressão. Hoje eu calço meus sapatos, e mesmo que eu sinta que cada um pé está mais apertado que o outro, consigo ignorar e ir fazer minhas coisas tranquilamente. A senhora não faz idéia de como isso é libertador, e de como estou aliviada e feliz!

No próximo dia 5 vou começar terapia cognitiva comportamental com uma psicóloga especialista em Asperger, acredito que vai ser muito bom e que finalmente poderei ter a autonomia que sempre almejei!"

Como esta novidade é bastante recente, estou gora pesquisando sobre a Síndrome de Asperger e, na medida em que eu for aprendendo mais coisas, vou compartilha-las aqui.

Um grande abraço!